sábado, 17 de julho de 2010

A hora do pesadelo | Samuel Bayer


sub-gênero de terror conhecido como slasher ganhou força nos anos 80, especialmente com três grandes nomes: Jason Vorhees, da série Sexta feira 13, Michael Myers, de Halloween e Freddy Kruger, de A hora do pesadelo. Nestes filmes, um grupo de adolescentes era dizimado, um a um, por um psicopata monstruoso e praticamente imortal. O remake de A hora do pesadelo, com o mesmo título, segue bem a cartilha do slasher. Uma pena que o gênero de terror avançou e o filme, visto hoje, soa datado.

Na trama, jovens começam a morrer misteriosamente enquanto dormem. Os que sobrevivem, descrevem um estranho homem, desfigurado por queimaduras, em seus sonhos, chamado Freddy. O mistério do filme é descobrir quem são os alvos de Kruger e o motivo por trás das mortes. O gancho é que os protagonistas precisam evitar cochilos, pois o psicopata habita apenas o mundo dos sonhos.

A premissa de A hora do pesadelo era criativa quando o primeiro filme foi lançado e envelheceu bem. É estranho, no entanto, perceber a gama de poderes que Kruger tem no filme. A primeira morte dá a entender que ele apenas tem o poder de controlar o corpo da vítima e fazer com que ela se mate no mundo real, mas, pouco tempo depois, o psicopata arremessa o corpo de uma garota nas paredes, antes de fatiá-la, do mundo dos sonhos para o mundo real, em um piscar de olhos.

Outra coisa que flutua em Freddy é sua personalidade. Nos primeiros filmes, Kruger era um psicopata ameaçador, mas, com o passar do tempo, se tornou um piadista, disparando trocadilhos e sarcasmo antes de eliminar as vítimas. No remake, o roteiro tenta equilibrar os dois, mas as piadas parecem forçadas e deslocadas, ainda que algumas tenham uma carga inegável de humor negro.

Jackie Earle Haley, o Rorschach, de Watchmen, encarna Kruger no remake, mas não é perfeito. A cena com Freddy antes de se tornar um monstro é sensacional e exibe muito do talento do ator, que, caracterizado em uma maquiagem excessivamente pesada, não consegue se expressar e apenas rosna frases de efeito antes de fatiar os pobres dorminhocos. Kruger é um dos ícones de maior carisma do cinema de horror, mas em A hora do pesadelo versão 2010, ele é apagado e inexpressivo.

Os protagonistas, por outro lado, são competentes, ainda que sigam fielmente a cartilha de vítimas em slashers. Eles seguem garotinhas assustadoras por corredores estreitos, se aventuram em quartos escuros e se recusam a admitir que algo estranho está acontecendo até que alguém exploda em uma bola de sangue diante de seus olhos.

Kruger está de volta. Com seu chapéu estiloso, suéter rubro negro e luva com garras, o ícone consegue sobreviver do carisma que conquistou em seus outros filmes. A performance de Haley é instável, especialmente quando está imobilizado pela maquiagem. Os sustos estão espalhados pelo filme, mas o gênero de terror já caminhou muito desde os slashers. De comédias românticas com zumbis (Todo mundo quase morto) a filmes que não mostram nada (Atividade paranormal), o terror acordou e deixou este pesadelo para trás.

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