sábado, 17 de julho de 2010

Homem de ferro 2 | Jon Favreau


Robert Downey Jr. funde-se mais uma vez com o bilionário playboy Tony Stark para dar vida a Homem de Ferro. O segundo filme do herói da Marvel, dirigido por Jon Favreau, joga na lata os mesmo ingredientes que tornaram o primeiro filme um cult — tecnologia requintada, humor perfurante e ação explosiva — em doses consideravelmente mais prazerosas. Não tema, Homem de Ferro 2 é tudo aquilo que se espera dele, tão bom ou até melhor que o original que emplacou nos cinemas há dois anos, apontando para o amadurecimento do gênero.

Tirando proveito do fato de ser uma continuação, Homem de Ferro 2 pula as apresentações desnecessárias e começa do exato ponto em que o primeiro filme parou. Tony Stark é tudo, menos um herói convencional e, por isso mesmo, não se esconde sob uma identidade secreta. Downey Jr, mais uma vez, empresta as aflições que viveu há uma década ao personagem, cativante, leve, descontraído e muito humano, com falhas de caráter e vícios (alcoolismo, alfinetado nos dois filmes). Ao sair da sombra de sua armadura hiper high-tech, o playboy narcisista desfruta do melhor da vida, mas está sendo envenenado por sua fama, seu passado e até mesmo pelo disco brilhante que pulsa em seu peito, fazendo seu coração bater à base de paládio, algo nada saudável. No seu encalço, a pressão para entregar seu traje rubro e dourado aos militares e um desafeto do passado da Stark Industries, Ivan Vanko / Whiplash (Mickey Rourke), um físico que manda, da Rússia, seu ódio enegrecido por duas gerações. Doente e descontente, o bilionário entrega o comando de sua empresa a Virginia Pepper Pots (Gwyneth Paltrow).

Entre diálogos espetaculares e explosões em alta velocidade, Favreau não esquece de alinhavar uma boa trama, sob o comando de Justin Theroux. Além de Stark, Pepper e o coronel Rhodey (agora vivido por Don Cheadle, em boa substituição a Terrence Howard), somos apresentados a uma outra penca de personagens, todos meticulosamente delineados e em atuações encantadoras. Há Scarlett Johansson desfilando sex appeal num justíssimo macacão preto de couro, como Natalie Rushman (Viúva Negra), e um durão Samuel L. Jackson com um tapa-olho de respeito no papel de Nick Fury, líder da S.H.I.E.L.D. Os vilões arregalam mais os olhos. Mickey Rourke empresta a cara feia a Vanko, o único a deter a mesma tecnologia que Stark, que ora brada chicotes incandescentes, ora acaricia uma cacatua. Sam Rockwell encarna com perfeição o carismático Justin Hammer, um empresário que busca espaço na indústria bélica no vácuo deixando pela Stark Industries. Irônico, trava os melhores diálogos com Stark, soprando um quê do coronel Hans Landa, vivido por Christoph Waltz, em Bastardos inglórios.

Se o primeiro filme pecou nas cenas de ação, Homem de Ferro 2 se redime. Três grandes batalhas pontuam o filme, muito bem posicionadas e explicadas, sem gratuidade. Homem de Ferro 2 aquece em Mônaco, quando encontra pela primeira vez Vanko, mostra a batalha de armaduras, entre o herói e Rhodey, e o clímax final, na feira Expo Stark. A sequência traz ainda a esperada fusão do universo dos heróis da Marvel. Há referências a Capitão América, Thor, e Os Vingadores, segurem-se. A cena pós-crédito é hilária, mas não será exibida nos cinemas brasileiros, pois o filme só estreia uma semana depois nos Estados Unidos.

A qualidade de Homem de Ferro 2, além das explosões, ângulos abundantes e inusitados e as armaduras reluzentes, sustenta-se sobre os diálogos e interpretações afiados, orquestrados majestosamente por Favreau. Cresce Downey Jr., cresce Favreau e amadurecem os filmes de heróis, que contam com um roteiro quebra-tudo que qualifica os personagens e a ação.

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